Governador exonera secretário de Fazenda após confusão de demissões na Corregedoria

Luiz Cláudio Gomes deixa o cargo em meio a questionamentos do deputado Professor Cleiton sobre interferência política em investigações internas da pasta

O ex-secretário de Estado de Fazenda, Luiz Cláudio Gomes. Foto: Willian Dias/ALMG

Luciano Meira

O governador de Minas Gerais exonerou nesta segunda-feira (20) o secretário de Estado de Fazenda, Luiz Cláudio Gomes. A decisão ocorre em meio a um cenário de instabilidade interna na pasta, marcado por demissões de corregedores que haviam sido determinadas pelo próprio secretário e posteriormente revogadas no último fim de semana. A advogada tributarista Luciana Mundim, que ocupava o cargo de secretária-adjunta, assume o comando da Fazenda.

A saída de Gomes foi oficializada por nota da Agência Minas, que não detalhou as motivações para a troca de titularidade. No entanto, a movimentação acontece após um episódio de recuo administrativo: na semana passada, o então secretário havia exonerado o corregedor-chefe da Fazenda, José Henrique Righi Rodrigues, e toda sua equipe: Reinaldo Luiz Gibaja de Souza Valente, Luiz Alberto Mesquita de Araujo, Maria Helena Barbosa e José Marcos Pinto Álvares. Dias depois, Gomes voltou atrás e readmitiu os servidores, gerando desconforto no governo estadual.

O contexto da saída levanta questionamentos sobre a autonomia técnica da pasta e possíveis pressões políticas externas. Em vídeo divulgado em suas redes sociais, o deputado estadual Professor Cleiton (PV) expôs o que classificou como uma situação de “extrema gravidade”. Segundo o parlamentar, a Corregedoria estava conduzindo investigações sensíveis que poderiam ter motivado as tentativas de interferência no órgão.

Deputado Estadual Professor Cleiton (PV-MG) – Reprodução Redes Sociais

Professor Cleiton vinculou a instabilidade na Fazenda a uma suposta blindagem política. “O que está acontecendo na Secretaria de Fazenda de Minas Gerais é um escândalo”, afirmou o deputado. Ele questionou se a tentativa de desestruturar a Corregedoria estaria ligada à “investigação de grandes empresas ou de pessoas ligadas ao núcleo do governo”. Para o parlamentar, o recuo nas exonerações dos corregedores e a subsequente demissão do secretário indicam um “clima de guerra” nos bastidores.

Antes de assumir a titularidade em 2024, Luiz Cláudio Gomes atuava como secretário-adjunto. Sua gestão vinha sendo alvo de críticas também por parte de sindicatos. Em junho de 2025, auditores fiscais chegaram a espalhar cartazes pela Cidade Administrativa acusando o chefe da pasta de omissão e falta de diálogo com os servidores da Receita Estadual.

O impacto da troca no comando da Fazenda atinge diretamente a condução das políticas fiscais do Estado em um momento de discussões sobre a dívida com a União. Politicamente, a fala de Professor Cleiton ecoa na Assembleia Legislativa como uma cobrança por transparência. A nomeação de Luciana Mundim busca estabilizar a secretaria, mas os desdobramentos sobre as investigações da Corregedoria citadas pelo deputado permanecem como o principal ponto de incerteza para a administração estadual.

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