Isenção mútua de vistos deve ampliar turismo e negócios entre Brasil e China
Facilitação de trânsito anunciada pelo governo brasileiro em reciprocidade à medida de Pequim já eleva buscas por viagens em 170%

Luciano Meira
A implementação da isenção mútua de vistos para estadias de curta duração entre Brasil e China deve acelerar o intercâmbio comercial e o fluxo de turistas entre as duas nações em 2026. A medida, anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última sexta-feira (23), estabelece reciprocidade à política experimental adotada pela China desde junho de 2025 para cidadãos brasileiros.
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Segundo agências de turismo chinesas, como a plataforma Qunar, o interesse pelo Brasil registrou um salto imediato após o anúncio oficial. As buscas por destinos como Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília cresceram mais de cinco vezes em uma semana. Para o período da Festa da Primavera, as reservas de passagens da China para o Brasil apresentam uma alta anual de 170%, colocando o país sul-americano entre os destinos internacionais com maior crescimento.
Impacto econômico e empresarial
Além do setor de lazer, especialistas chineses destacam que a desburocratização das viagens é estratégica para a expansão de empresas asiáticas no mercado latino-americano. A isenção de vistos facilita a participação de executivos em feiras setoriais e agiliza inspeções técnicas em setores como mineração, infraestrutura, agronegócio e energia.
Redução de custos: A medida diminui gastos com coordenação e comunicação para missões empresariais.
Comércio exterior: Na última edição da Feira de Cantão, o número de compradores brasileiros cresceu 33,2% devido à facilitação de acesso à China.
Investimentos: A simplificação do trânsito de talentos e técnicos deve favorecer parcerias em ciência e tecnologia.
Contexto diplomático
A iniciativa coincide com a celebração do “Ano da Cultura China-Brasil” em 2026, reforçando o aprofundamento das relações bilaterais iniciado nas últimas cúpulas diplomáticas. O objetivo central, conforme comunicado do governo brasileiro, é remover barreiras para o intercâmbio entre povos e consolidar a China como o principal parceiro comercial do Brasil.
O novo regime de vistos entra em vigor em um momento de recuperação plena das rotas aéreas internacionais e de maior abertura econômica chinesa, consolidando o Brasil como um destino prioritário para o capital e o turismo asiáticos.
