Lula anuncia apoio a Michelle Bachelet para a Secretaria-Geral da ONU
Presidente brasileiro defende o nome da ex-mandatária chilena para suceder António Guterres; Chile, Brasil e México oficializam candidatura conjunta

Luciano Meira
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta segunda-feira (2) o apoio formal do governo brasileiro à candidatura de Michelle Bachelet para o cargo de secretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Em publicação nas redes sociais, Lula afirmou que, após oito décadas de história, é o momento de a entidade ser comandada por uma mulher. O anúncio coincide com a oficialização da inscrição da candidatura pelo governo do Chile, em uma articulação que une também o México.
A escolha do sucessor de António Guterres, cujo mandato termina em dezembro de 2026, deverá ocorrer até o final deste ano, com posse prevista para 1º de janeiro de 2027. Por um princípio de rotatividade geográfica, a liderança da ONU deve caber agora à América Latina. Além de Bachelet, outros nomes da região, como a costa-riquenha Rebeca Grynspan e a mexicana Alicia Bárcena, são cotados para o posto.
Quem é Michelle Bachelet
Michelle Bachelet, de 74 anos, é médica e uma das figuras políticas mais influentes da história recente da América Latina. No Chile, foi a primeira mulher a presidir o país, cargo que ocupou por dois mandatos (2006-2010 e 2014-2018). Antes de chegar ao Palácio de La Moneda, Bachelet foi ministra da Saúde e a primeira mulher a liderar o Ministério da Defesa tanto no Chile quanto na América Latina.
A trajetória da candidata é marcada pela resistência política. Filha de um general da Força Aérea morto pela ditadura de Augusto Pinochet, ela própria foi exilada e trabalhou ativamente na reconstrução democrática de seu país. Na esfera diplomática, Bachelet possui extensa experiência no sistema multilateral.
Atuação nas Nações Unidas
A experiência de Bachelet na ONU é um dos principais argumentos de seus apoiadores. Entre 2010 e 2013, ela foi a primeira diretora-executiva da ONU Mulheres, agência criada para promover a igualdade de gênero e o empoderamento feminino. Posteriormente, entre 2018 e 2022, exerceu o cargo de Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, período em que atuou na proteção de grupos vulneráveis e no avanço de pautas ambientais.
Segundo o presidente Lula, o currículo e a liderança de Bachelet a credenciam para conduzir a organização em um cenário internacional marcado por desigualdades e retrocessos democráticos. O apoio brasileiro reforça a estratégia do Itamaraty de promover a diversidade de gênero nas principais instâncias de poder global.
