Mateus Simões diz ter “inveja branca” em evento de Tiradentes
Governador disse ter “inveja branca” de Tarcísio de Freitas e reduziu ação de Tiradentes à patente de alferes durante cerimônia da Medalha da Inconfidência em Ouro Preto

Luciano Meira
O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), provocou críticas nesta terça-feira (21) ao usar a expressão racista “inveja branca” em discurso durante a cerimônia da Medalha da Inconfidência, em Ouro Preto. A solenidade, que homenageia a memória de Tiradentes, contou com a presença de autoridades estaduais e federais, incluindo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
No trecho que gerou repercussão, Simões afirmou: “Dizia ao governador Tarcísio da minha inveja branca de ele ter nomeado a 1ª comandante da Polícia Militar mulher, mas disse a ele: ‘o senhor não ganhou a corrida, porque em Minas já temos uma comandante militar que comanda os nossos bombeiros com muito orgulho, coronel Jordana’”.
A expressão é considerada racista por associar a cor branca a algo positivo, em contraposição implícita à cor negra. Especialistas em linguagem e movimentos sociais destacam que termos como esse reforçam o racismo estrutural ao naturalizar hierarquias de valor entre cores.
Outra gafe
Além da fala racista, Simões também se referiu a Tiradentes como “o Alferes que cumpria seu dever militar”, minimizando a relevância histórica do mártir da Inconfidência. A declaração foi criticada por autoridades locais, como o prefeito de Ouro Preto, Ângelo Oswaldo, que ressaltou o caráter cívico e democrático da luta dos inconfidentes.
A cerimônia ainda foi marcada por ausências e protestos. A deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT), agraciada com a Medalha de Honra, não compareceu e acusou o governo de restringir o acesso da população ao evento, chamando a postura de “violência institucional”.
