Minas registra 18 casos de câncer de pele por dia; alerta é reforçado no verão
Estado responde por mais de 10% das ocorrências nacionais e especialistas pedem atenção redobrada à proteção solar e ao diagnóstico precoce

Luciano Meira
Minas Gerais registra, em média, 18 novos casos de câncer de pele por dia, considerando as estimativas de incidência de tumores de pele não melanoma e melanoma feitas pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) para o triênio 2023‑2025. Os dados colocam o estado entre os que mais concentram diagnósticos da doença no país, em um cenário que preocupa ainda mais com a chegada do verão, período de maior exposição ao sol e de risco elevado para lesões causadas pela radiação ultravioleta.
Minas no topo das estatísticas
Levantamento do Inca indica que Minas Gerais concentra cerca de 11,7% dos casos brasileiros de câncer de pele não melanoma, com previsão de 26.010 novos diagnósticos desse tipo de tumor até o fim de 2025, além de aproximadamente 900 casos de melanoma, a forma mais agressiva da doença. Somados, os números se aproximam de 27 mil novos episódios no triênio, o que equivale a uma média próxima de 18 registros diários no estado.
O câncer de pele é o tipo de tumor mais frequente no Brasil, respondendo por cerca de 30% a 33% de todos os diagnósticos oncológicos, segundo o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Em Minas, especialistas destacam que o volume de casos reflete o clima com grande incidência solar ao longo do ano, hábitos de exposição prolongada ao sol e dificuldade de acesso regular a consultas com dermatologistas, sobretudo no interior.
Verão aumenta risco e acende alerta
Com a chegada do verão, período de dias mais longos, calor intenso e aumento de atividades ao ar livre, médicos reforçam que a exposição desprotegida ao sol é o principal fator de risco para o câncer de pele. A radiação ultravioleta acumulada ao longo da vida, especialmente em pessoas de pele clara, com histórico de queimaduras solares ou muitas pintas, eleva significativamente a chance de surgimento de tumores cutâneos.
Dermatologistas orientam que a população evite a exposição direta ao sol entre 10h e 16h, use diariamente protetor solar com fator de proteção a partir de 30 e reaplique o produto a cada duas horas, ou após entrar na água ou suar excessivamente. O uso de chapéu de aba larga, óculos de sol com proteção UV, roupas compridas e peças com proteção ultravioleta é recomendado como barreira complementar, especialmente para trabalhadores ao ar livre, crianças e idosos.
Dezembro Laranja e ações em Minas
A campanha Dezembro Laranja, promovida anualmente pela SBD, tem ampliado a oferta de mutirões gratuitos e ações de orientação em todo o país, com foco na prevenção e no diagnóstico precoce. Em Minas, a regional da SBD organiza atendimentos em cidades como Belo Horizonte, Juiz de Fora, Patos de Minas, Uberlândia e Uberaba, oferecendo avaliação dermatológica sem custo para rastrear lesões suspeitas.
Desde o início da iniciativa, a campanha nacional já realizou mais de 600 mil consultas e identificou mais de 75 mil casos de câncer de pele, dados que demonstram o impacto da estratégia no diagnóstico em estágios iniciais, quando as chances de cura são maiores. Para especialistas, a adesão de Minas às ações de prevenção é fundamental para enfrentar o crescimento projetado de quase 40% nos casos de câncer de pele no estado até 2025 em comparação a triênios anteriores.
Sinais de alerta e quando procurar ajuda
Médicos recomendam atenção redobrada a manchas, pintas e lesões na pele que mudam de cor, aumentam de tamanho, apresentam bordas irregulares, sangram ou não cicatrizam, sinais que podem indicar o desenvolvimento de câncer. No caso do melanoma, a regra do “ABCDE” — assimetria, bordas irregulares, cores variadas, diâmetro maior que 6 milímetros e evolução (mudança ao longo do tempo) — é usada como referência para suspeita.
O Ministério da Saúde reforça que qualquer alteração persistente na pele deve ser avaliada por um profissional de saúde, preferencialmente um dermatologista, para realização de exame clínico e, se necessário, biópsia. Quando detectado precocemente, sobretudo nos tumores não melanoma, o câncer de pele apresenta altas taxas de cura, reduz necessidade de cirurgias extensas e diminui o risco de sequelas e complicações.
