Professor Cleiton acusa Mateus Simões de promessa eleitoreira sobre reajuste em Minas

Governador é criticado por anunciar reposição salarial anual, apesar de ter se posicionado contra no passado e não apresentar projeto de lei exigido pela Assembleia Legislativa

Deputado estadual Professor Cleinto (PV-MG)

Luciano Meira

O deputado estadual Professor Cleiton (PV) publicou vídeo em suas redes sociais denunciando o governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), sobre sua posição anterior em relação ao reajuste dos servidores públicos. O parlamentar afirma que o chefe do Executivo que no passado se manifestou contrário ao reajuste, agora utiliza o anúncio de eventual recomposição anual como estratégia eleitoral. Simões assumiu o cargo em março de 2026, após a renúncia de Romeu Zema (Novo) para disputar a Presidência da República.

Além disso, há a controvérsia de natureza jurídica do reajuste. O presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Tadeu Martins Leite (MDB), esclareceu que qualquer alteração remuneratória depende do envio de um novo projeto de lei específico ao Legislativo. A declaração contradiz a tese do governo de que o índice poderia ser aplicado automaticamente. A postura de Simões, deixa clara a tentativa de transferir a responsabilidade por um eventual não cumprimento da medida para os deputados estaduais.

O histórico da gestão atual reforça as críticas sobre a estratégia de camuflar atos e distorcer fatos em detrimento da transparência administrativa. Mateus Simões e seu antecessor, Romeu Zema, são questionados, por exemplo, pela manutenção do sigilo sobre a chamada “caixa preta” das desonerações fiscais. O governo estima que Minas Gerais deixará de arrecadar R$ 25 bilhões em 2026 devido a incentivos fiscais concedidos a empresas cujos nomes e benefícios gerados permanecem sob sigilo, apesar das promessas eleitorais não cumpridas, por publicidade dos dados.

O desempenho de Simões nas pesquisas de intenção de voto também contextualiza o cenário de embate. Levantamentos recentes apontam que o governador figura com índices que variam entre 6% e 10%. Para o deputado Professor Cleiton, a fragilidade eleitoral motiva a adoção de práticas da “velha política”, caracterizadas por promessas de campanha sem lastro orçamentário ou viabilidade técnica aprovada.

A judicialização do tema é outro ponto de atenção. O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu recentemente que reajustes de gratificações e salários dependem obrigatoriamente de lei. O governo estadual sancionou em março uma recomposição de 5,4% para o funcionalismo, mas o impasse sobre a continuidade do reajuste anual permanece sem uma solução legislativa definitiva enviada pelo Palácio Tiradentes.

O impacto dessas decisões repercute diretamente na estabilidade fiscal do estado e no bem-estar dos cerca de 673 mil servidores públicos mineiros. A crise de confiança entre os Poderes Executivo e Legislativo, neste período eleitoral, pode paralisar outras pautas prioritárias. A falta de transparência nas contas públicas, aliada à insegurança jurídica das promessas salariais, amplia o desgaste da imagem governamental em um ano de sucessão estadual.

A análise do cenário indica um risco de paralisia administrativa em Minas Gerais. O impacto social é imediato, pois a indefinição sobre os salários afeta a prestação de serviços essenciais, como educação e segurança. Politicamente, a estratégia de Simões de confrontar o Legislativo pode isolar o governo, dificultando a construção de uma coalizão sólida para o pleito de outubro.

O Metropolitano

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