Rejeição recorde a Aécio expõe desgaste iniciado após disputa presidencial de 2014
Levantamento Atlas/Bloomberg coloca ex-governador mineiro como o político mais rejeitado entre os nomes testados e reforça trajetória de perda de capital eleitoral ao longo da última década

Luciano Meira
O ex-governador de Minas Gerais e deputado federal Aécio Neves (PSDB) aparece como o político com maior índice de rejeição entre os nomes avaliados pela pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada na terça-feira (1º). O resultado representa mais um indicador do desgaste de imagem acumulado pelo tucano desde a disputa presidencial de 2014, quando foi derrotado por Dilma Rousseff por uma diferença de pouco mais de 3,4 milhões de votos. A rejeição é apresentada no capítulo específico do levantamento dedicado à avaliação dos principais líderes políticos.
A pesquisa ouviu 4.999 eleitores entre 26 e 30 de junho, por meio de recrutamento digital aleatório, tem margem de erro de um ponto percentual e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04582/2026. Além da elevada rejeição, Aécio aparece com apenas 0,7% das intenções de voto em um dos cenários de primeiro turno para a eleição presidencial de 2026, distante dos principais concorrentes.

O contraste com a trajetória política do tucano chama atenção. Em 2014, Aécio chegou ao segundo turno da eleição presidencial e recebeu 51.041.155 votos, o equivalente a 48,36% dos votos válidos, na disputa vencida por Dilma Rousseff. Na época, liderava o principal partido de oposição ao governo federal e era apontado como um dos nomes de maior projeção nacional.
Após a derrota, o PSDB protocolou no Tribunal Superior Eleitoral um pedido de auditoria da votação de 2014, alegando necessidade de verificar a lisura do processo eleitoral diante de questionamentos que circulavam nas redes sociais. A auditoria foi realizada e não encontrou indícios de fraude nas urnas eletrônicas.
No período seguinte, Aécio adotou postura de oposição contundente ao governo Dilma Rousseff. Em discurso no Senado, afirmou que faria uma oposição “incansável, inquebrantável e intransigente” e condicionou qualquer diálogo ao atendimento de demandas que considerava de interesse do país. Durante a crise política de 2016, declarou publicamente que “o governo Dilma acabou”, ao defender o afastamento da então presidente.
Há interpretações políticas que relacionam essa estratégia de enfrentamento ao processo de desgaste de sua imagem pública. A pesquisa da Atlas registra o nível de rejeição do eleitorado, mas não investiga as razões que levam os entrevistados a essa avaliação.
Os resultados eleitorais posteriores evidenciam, contudo, uma redução expressiva de seu capital político. Em 2018, Aécio deixou o Senado e foi eleito deputado federal por Minas Gerais com 106.702 votos, correspondentes a 1,06% dos votos válidos, sendo apenas o 19º mais votado no Estado. Em 2022, foi reeleito para a Câmara dos Deputados com 85.341 votos, ou 0,76% dos votos válidos, caindo para a 34ª posição entre os candidatos mineiros.
A sequência dos resultados mostra uma diferença significativa entre a votação obtida na disputa presidencial de 2014 e o desempenho registrado nas eleições seguintes. Enquanto em 2014 recebeu mais de 51 milhões de votos em âmbito nacional, nas duas eleições proporcionais seguintes sua votação em Minas Gerais ficou abaixo de 110 mil votos.
O levantamento Atlas/Bloomberg divulgado nesta semana acrescenta um novo elemento a esse histórico ao apontar que, além de ter baixa intenção de voto, Aécio Neves reúne atualmente o maior índice de rejeição entre os líderes políticos avaliados. Para analistas políticos, indicadores de rejeição costumam ser relevantes porque medem a resistência do eleitorado a uma eventual candidatura, diferentemente das pesquisas de intenção de voto, que podem variar ao longo da campanha.
Passados quase doze anos da disputa presidencial de 2014, os dados da pesquisa sugerem que Aécio enfrenta um cenário político bastante distinto daquele em que chegou ao segundo turno contra Dilma Rousseff. Embora permaneça exercendo mandato de deputado federal e mantenha atuação nacional no PSDB, sua posição nas pesquisas indica um nível elevado de rejeição e reduzida competitividade eleitoral no cenário presidencial medido pela AtlasIntel/Bloomberg.


