China libera exportação de café brasileiro para 183 empresas no mesmo dia do tarifaço de Trump

País asiático amplia acesso de exportadores brasileiros de café num gesto interpretado como resposta estratégica à nova tarifa de 50% aplicada pelos Estados Unidos; medida tem potencial para redesenhar rotas e acordos do agronegócio nacional

Reprodução Redes Sociais
Luciano Meira

No mesmo dia em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou decreto impondo tarifa de 50% ao café brasileiro, a China anunciou a habilitação de 183 novas empresas exportadoras do Brasil, abrindo caminho para um novo redirecionamento nas vendas do principal produto agrícola nacional. A decisão, divulgada pela administração aduaneira chinesa e compartilhada oficialmente pelo ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, entra em vigor imediatamente e terá validade de cinco anos.O mercado chinês, embora ainda modesto em volume frente aos Estados Unidos — principal destino do café brasileiro, responsável por cerca de 8 milhões de sacas por ano —, vem apresentando expansão acelerada. Em 2024, a China ocupou o 14º lugar entre os maiores compradores do grão do Brasil, com 55,940 mil toneladas importadas e receita de US$216 milhões. Apenas no primeiro semestre de 2025, já foram enviadas 31,532 mil toneladas, somando US$196,9 milhões. O potencial é significativo: enquanto nos EUA o consumo já está consolidado, na China, o hábito do café ganha espaço sobretudo entre jovens urbanos, impulsionado pela abertura de cafeterias de grandes redes como Luckin Coffee e Starbucks. O consumo per capita chinês, apesar do crescimento, ainda é de cerca de 16 xícaras ao ano — a média global é de 240, indicando espaço para expansão.

A ofensiva chinesa ocorre em um contexto de disputa comercial agravada pela ordem executiva de Trump, que afeta também outros produtos brasileiros. O gesto é visto como oportunidade estratégica para o Brasil diversificar seus mercados: empresas e autoridades intensificam negociações para ampliar acordos com China e Índia, como forma de mitigar o impacto da perda de competitividade no mercado americano.

Além do café, a China também aprovou recentemente novas unidades brasileiras para exportação de gergelim, farinhas e proteína animal, sinalizando ampliação da parceria bilateral. Em 2024, as compras totais chinesas do agronegócio brasileiro somaram mais de US$49,6 bilhões. A expectativa do setor é que a habilitação dos novos exportadores consolide o país asiático como rota prioritária para o café nacional nos próximos anos, principalmente após a vigência das tarifas americanas a partir de 6 de agosto.

Já para consumidores e produtores brasileiros, o episódio escancara os riscos da dependência em relação ao mercado americano e reforça a necessidade de alianças econômicas plurais. No tabuleiro global do agro, se os Estados Unidos “endurecem o jogo”, Pequim mostra — outra vez — que não quer ficar de fora da mesa.

O Metropolitano

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